Comunicado da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas e da Sociedade de Geografia de Lisboa

by Admin on April 29, 2010

Numa iniciativa da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas e da Sociedade de Geografia de Lisboa, realizou-se no passado dia 26 de Abril, na sede da Sociedade de Geografia de Lisboa, entre as 14h e as 18h, um Encontro e Debate sobre “A Catástrofe da Madeira. Uma Visão do Ordenamento Biofísico”, que contou com as intervenções de:
- Geógrafo Doutor Raimundo Quintal (CEG/UL);
- Arq. Paisagista Fernando Pessoa;
- Eng.º Rodrigo de Oliveira, prof. IST/UTL;
- Eng.º Delgado Domingos, prof. jubilado IST/UTL;
- Geólogo Domingos Rodrigues, prof. UMA.

Este evento contou com mais cerca de 140 participantes, entre arquitectos paisagistas, geógrafos, engenheiros civis e especialistas de outras áreas.

Realizou-se uma pequena mas sentida homenagem ao Engº Rui Vieira, um madeirense que desde os anos 40 se bateu por um correcto ordenamento do território.

Foi recordada regularidade com que ao longo dos anos (e dos séculos) na ilha da Madeira têm ocorrido enxurradas e catástrofes – o que alerta para a necessidade de um novo paradigma no ordenamento biofísico do território.

Ficou demonstrado que os avisos de chuvas torrenciais podem ser feitos antecipadamente, num mínimo de 72 horas.

O leito de cheia dos 100 anos não pode ser de novo ocupado. As encostas das serras deverão ser ocupadas por vegetação, as plantações terão de ser feitas em vala-cômoro segundo as curvas de nível, com experimentação das espécies que melhor se coadunem. A montante, os terrenos terão que se drenados, para que as espécies não sucumbam nos primeiros anos, lembrando-se que as argilas que aqui constituem o solo são extremamente movediças – o que potencia os grandes deslizamentos que pelas fortes pendentes levam tudo, causando os inevitáveis desastres.

As rochas e terras dos desaterros sejam arrimadas de forma segura para que não venham parar ao leito das ribeiras. Admite-se que, desde montante, sejam feitas represas dos materiais sólidos que podem nada ter a ver com as convencionais.

Sob o ponto de vista urbanístico, importa refazer os cones de dejecção, ao contrário do que hoje existem, em forma de funil que aperta para jusante. Nas cidades, as ribeiras deverão correr a céu aberto, à imagem do que está ser refeito em países tido por modelo.

Os donativos para a recuperação devem ser feitos de modo a que todos seja público os que se destinam a apoio sócio-económico das populações e a estudos e investigações de âmbito biofísico.

Impõe-se a construção de uma cultura de ocupação responsável do território, que desejavelmente deverá ser contemplada nos Projectos Educativos das escolas da Região Autónoma da Madeira.

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